Canetas emagrecedoras e cirurgia bariátrica: entenda o que está mudando nos consultórios

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Alta procura por medicamentos para emagrecer transforma comportamento dos pacientes, mas médicos reforçam importância da indicação individualizada

O avanço das chamadas canetas emagrecedoras transformou a forma como a obesidade vem sendo tratada nos últimos anos. Com resultados expressivos na perda de peso e ampla repercussão nas redes sociais, os medicamentos passaram a despertar o interesse de milhares de brasileiros. Ao mesmo tempo, surge uma pergunta cada vez mais frequente nos consultórios: com o crescimento desse tratamento, a cirurgia bariátrica está perdendo espaço?

Apesar disso, o especialista reforça que não se trata de uma disputa entre métodos. Para ele, cirurgia e medicamentos devem ser vistos como recursos diferentes e, muitas vezes, complementares no combate à obesidade. “Não acredito em substituição. O futuro é do tratamento multimodal, utilizando todas as ferramentas disponíveis e individualizando o tratamento para cada perfil de paciente”, explica.

Segundo Schiavon, pacientes com IMC mais baixos hoje têm maior chance de perder peso e manter os resultados com medicamentos, sem necessidade imediata de cirurgia. Já em quadros mais graves, especialmente quando há obesidade grave e doenças associadas, a cirurgia bariátrica continua sendo uma das estratégias mais eficazes.

Quando cirurgia e canetas podem andar juntas

Ao contrário do que muitos imaginam, os tratamentos podem ser usados em conjunto em diversas situações clínicas. As medicações, por exemplo, podem ser indicadas antes da cirurgia como preparo para pacientes com IMC acima de 50.

“Elas também podem ser utilizadas no pós-operatório com o objetivo de melhorar a perda de peso em pacientes com IMC muito alto ou em pessoas que não conseguiram perder peso adequadamente, ou ainda que reganharam o peso perdido”, destaca o médico.

Cirurgia ainda é alternativa para quem não responde às medicações

Outro movimento observado nos consultórios é o de pacientes que iniciam o tratamento com canetas emagrecedoras, mas não alcançam os resultados esperados. Nesses casos, a cirurgia bariátrica pode voltar ao centro da discussão.

“Sim, esta é uma situação em que a cirurgia pode ajudar muito, mas ainda não é comum na prática clínica. Talvez porque exista uma perspectiva de lançamento de novos medicamentos mais potentes e os pacientes fiquem na esperança de que o próximo pode funcionar”, comenta Schiavon.

Tratamento deve ser individualizado

Para especialistas, não existe fórmula única quando o assunto é obesidade. A escolha entre cirurgia, medicação ou combinação de ambos depende de fatores como índice de massa corporal, histórico de tentativas anteriores, presença de comorbidades, estilo de vida e avaliação médica criteriosa.

Mais do que rivalidade, o cenário atual aponta para uma nova fase no tratamento da obesidade: menos oposição entre técnicas e mais personalização para aumentar as chances de sucesso e qualidade de vida dos pacientes.

SOBRE O INSTITUTO OBESIDADE BRASIL

O Instituto Obesidade Brasil é a primeira organização sem fins lucrativos do mundo direcionada a pessoas com obesidade e surge com o objetivo de conscientizar e trazer informações claras e objetivas, sempre com mentoria científica, com linguagem acessível sobre obesidade, prevenção, diagnóstico, tratamento, novas tecnologias e direcionamento aos centros públicos e gratuitos de atendimento, ajudando da melhor forma possível.

Ele foi fundado em fevereiro de 2020 para conscientizar pessoas de que a obesidade é uma doença multifatorial e crônica e conta com um Conselho Científico composto por especialistas colaboradores de todo o território brasileiro, de perfil multidisciplinar, que adota o conceito de saúde universal e trabalha para que todos tenham acesso à ajuda médica especializada.

Coordenadores Obesidade Brasil
Mulher com camiseta azul

Descrição gerada automaticamente

Psicóloga Andrea Levy

Cofundadora e coordenadora da ONG Obesidade Brasil.

Psicóloga Clínica e bariátrica, especialista em Obesidade e Transtornos Alimentares pelo HC-FMUSP;

Mais de 25 anos de atuação em clínica de Obesidade e Cirurgia Bariátrica;

Coordenadora da Comissão de Saúde Mental da IFSOLAC (Intl. Federation of Surgery of Obesity – LATAM) 2024-2025.

Professora e palestrante convidada em diversos congressos e eventos nacionais e internacionais sobre Obesidade e assuntos relacionados.

Autora do livro “Cirurgia Bariátrica: manual de instruções para pacientes e familiares”.

Nutróloga Andrea PereiraRosto de mulher sorrindo

Descrição gerada automaticamente

MD, PhD

Médica Nutróloga do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein

Presidente e Cofundadora da ONG Obesidade Brasil;

Cofundadora do canal Longidade;

Doutorado pela Endocrinologia da UNIFESP em Obesidade e Cirurgia Bariátrica;

Pós-doutorado pelo Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa;

Autora do livro “Dieta do Equilíbrio: a melhor dieta anticâncer”.

Membro do Comitê de Bioética do HIAE.

Coordenadora do Comitê Multiprofissional da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica

Cirurgião Bariátrico Carlos Schiavon

Cofundador da ONG Obesidade Brasil;

Médico Especialista em Cirurgia Bariátrica e Metabólica;

Formado em 1987 pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo;

Doutor Cirurgião pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – São Paulo, SP;

Especialista em Cirurgia Bariátrica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica;

Coordenador de Ensino e Pesquisa do Núcleo de Obesidade e Cirurgia Bariátrica da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo;

Investigador principal do Trial GATEWAY – Gastric Bypass to Treat Obese Patients With Steady Hypertension.

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